sábado, 1 de setembro de 2007

Tempestade

        O vento Norte anuncia tempestade. Ele chega sarcástico ao anunciar com seus ventos frios a noite longa que se aproxima.
        Sempre tive medo do frio, pra mim ele sempre foi um mal presságio, sempre colocando minhas setas à exposição dos ares, sempre trazendo a mim um desejo de quentura vindo de dentro. E é por isso que me coloco assim, à disposição de quem quer que seja, pra não sei o quê, não sei onde ...
        Vago, caminho a esmo pelos caminhos do mundo a procurar o calor. Não o encontro, minha cama está vazia e assim minha alma não descança, meus olhos não fecham, e minhas mãos procuram um ponto de preenchimento, neste momento me pego a pensar o quanto de mim permanece vazio nas idas e vindas das palavras,  e quando o rio se transformou em vento a trazer-me o tormento nas noites.
          (...)
        Tenho o curioso talento de renascer da dor, é ela que me levanta, 
e ao caminhar irradio sua força.
        Tenho muito medo de mim. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Direção Primeira

       A seta aponta para mim, leste de mim mesma, nascente de sutiliezas e ostilidades. Hoje, eu, criação minha, renasço para o espaço, dou meus punhos ao universo porque carrego dentro de mim a beleza de ser múltipla e ter três corações a bater.
       A natureza fez de  mim sua vontade, e eu recorro às palavras a descrever as direções que os ventos me trazem.
       Que nessa empreitada o mar seja meu amigo, que sua àguas surjam em meu ventre e purifiquem as existências que estão por vir.